sábado, 30 de dezembro de 2017

2017-2018

Eu tinha que terminar um trabalho e passei o dia enrolando, pois é isso o que eu faço quando tenho algo difícil e trabalhoso para resolver. Ao invés de lavar a louça ou entrar em um e-commerce fiquei assistindo a vídeos no youtube. Até que caí nesse aqui:


E  como eu tava com essa música (abaixo) na cabeça fiquei escutando no repeat:


E como é melhor filosofar do que resolver problemas práticos segue minha análise sobre fé e Deus.

Eu tenho fé e acredito em Deus, mas não coloco nele a responsabilidade pela minha vida. Caso contrário teria que colocar nele a responsabilidade por qualquer doença ou coisa ruim que me aconteça. Então eu o tenho como uma força que me faz ter fé e esperança. Explico. 

Nesse ano que tá acabando, daqui a pouco, eu fiquei doente. Quando recebi o diagnóstico a primeira coisa que pensei em fazer, foi uma promessa para ficar boa e nunca mais ter doença nenhuma. Depois fiquei pensando que fazer uma promessa é colocar Deus e minha fé em uma situação muito desconfortável, porque minha doença não foi colocada por ele e nem foi culpa da minha fé (e nem culpa minha - assistam Dr. Drauzio Varella e parem de culpabilizar o paciente pelas doenças que ele tem). Ela aconteceu, foi um fato, e como Deus vai controlar que eu nunca mais fique doente?

Então eu preferi deixar Deus fora das minhas questões de saúde e fiz o que tinha que fazer. Agora, chegando no fim do ano e vendo que eu passei por uma operação complicada, 5 semanas de tratamento pesado, recuperação dolorosa, mas ainda assim fiz a viagem dos meus sonhos, comemorei e chorei com as pessoas que amo, voltei a correr etc e tals, eu entendi que Deus e minha fé me ajudaram a ter esperança e a seguir em frente. Não é algo tão direto e lógico no dia a dia, mas agora, olhando pra trás eu percebo isso. 

Minha fé não me salva de ter problemas, ela me reconforta e dá energia para seguir em frente, de cabeça erguida, com leveza. Tem um conto da Katherine Mansfield (Bliss) em que ela descreve uma mulher que tem momentos de pura alegria e que é como se ela carregasse um diamante, modéstia a parte eu tenho certeza de que sou essa mulher e que esse brilhante que irradia é a força vital que ela tem. 

Tchau 2017, você foi uma grande ano pra mim e eu sempre vou te amar. Vem 2018, tenho muitos sonhos pra realizar. 



sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

E nesse ano...

Nesse ano eu realizei um sonho. Fui ao Líbano.

Após 3 gerações de Quinanes, Jorges, Bittar no Brasil eu fui a primeira a realizar esse sonho. Um relato mais completo, você pode ler nesse blog maravilhoso: Diários do Pé.

Mas aqui eu queria falar aqui é que enquanto conhecia o país estive no vale de Qadisha. Por lá eu vi uma revoada de pássaros linda. Pensei em tirar foto, mas preferi guardar na minha memória essa jóia rara que nunca ninguém vai conseguir apagar. Por lá também eu vi um senhorzinho que todos os dias vendia café turco em uma escadaria próxima ao meu hotel. Preferi também guardar mais esse cristal nas minhas lembranças e pensar "que bom que vim para cá e vi tudo isso" enche meu peito de alegria. 

Vi também gente igual a mim, pessoas com o mesmo tipo de nariz, cabelo e sobrancelha. Me senti parte de um todo como nunca havia sentido antes. E o conforto da normalidade finalmente aconteceu. 

2017, foi ruim, bom, depois ficou ruim de novo e depois ficou bom e parece que piorou mas melhorou. Assim como são os dias, as semanas e meses. Uma profusão de sentimentos em eterno sobe e desce na roda viva da vida. 








sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Planejamento

No começo do tratamento sonhei em dar uma caixa de bombom bem maravilhosa para todas as pessoas que trabalhavam no setor. Enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos, físicos, recepcionista. 

Após 5 semanas, toda cagada, estava de bode de todo mundo. Parecia que ninguém tava a fim de ajudar de verdade, só de falar "nossa, hoje tá pior". 

No dia anterior ao término já estava mais bem humorada, mas sem forças para contar quantas caixas teria que comprar. 

No dia do término mesmo, abracei o meu técnico preferido. Aquele que tinha as melhores conversas, o melhor jeito de instalar e desinstalar a máscara e chorei. Chorei muito com o PARABÉNS final que ele me deu.

Acho que foi melhor do que dar caixas de bombom. 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Implicar

Segue essa lista de pessoas/atitudes que eu implico:

no metrô (desculpem, ando usando muito esse meio de transporte ultimamente)
- gente que anda devagar no lado esquerdo imaginário;
- gente que anda lendo (livro ou celular) no lado esquerdo imaginário;
- gente que PARA no lado esquerdo da escada rolante;
- gente que PARA na porta de saída e não desce na estação seguinte;
- gente que senta no banco de duas pessoas como se estivesse no sofá de casa;

na vida
- gente que come de boca aberta
- gente que conversa mascando chiclete
- gente que chupa dente
- gente que usa óculos torto, peruca torta, enfim - acessórios tortos.
- gente efusiva
- coaching de tudo;
- jogadas de marketing (é mais uma preguiça mesmo);


Por hoje acho que tá bom de implicar. =D

Um grande problema.

Daqui há 2 dias comemorarei 1 semana que o meu ouvido esquerdo está tampado. 

Nunca passei por isso na vida, mas posso dizer com todo sentimento que é uma forma de enlouquecer aos poucos. Você vive sua vida normalmente, mas tem sempre uma coisa que te incomoda. E quando você não tem nada para pensar você pensa, obviamente nele e o quanto essa sensação é horrível. 

E claro que quando você reclama disso as pessoas fazem aquela cara de muxoxo, mas ao mesmo tempo de 'caguei', afinal de de 7,442 bilhões de habitantes deve ter só eu com essa droga de ouvido tampado - há quase 1 semana. 

Aí você abre a boca, assoa o nariz, aplica técnicas para eliminar soluço e NADA acontece. Parece que você entrou em uma piscina e seu ouvido encheu d'água para NUNCA MAIS SAIR. 

O pior de tudo é que nenhum médico, enfermeiro ou técnico de enfermagem conseguem te ajudar com o seu pequeno GRANDE problema. Não tem um líquido, uma cera ou um cotonete para romper essa espécie de muro que criou-se entre o mundo e o seu ouvido esquerdo. 

De verdade, as vezes não dá pra entender a medicina. Amo a medicina, e, todos os dias quando acordo, se tem uma coisa que agradeço é por existirem pessoas dispostas a trabalhar com sangue, agulhas, pessoas doentes e tudo o mais. Mas deveriam dar mais atenção aos ouvidos tampados. 

Pode ser também uma questão de ouvido cansado. 



quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Dia 21

Sonho meu que ia ter um relato todo dia. Até porque, a vida não dá assim tanto material.

MAS, "mesmo com toda cédula, com toda célula. Com toda súmula, com toda sílaba. A gente vai levando, a gente vai tocando, a gente vai tomando, a gente vai dourando essa pílula."

E eu queria falar para os  insensíveis de boa vontade, que o mundo não precisa de vocês. De verdade.

De verdade, eu cansei de entender a turma que faz piadinha com o sentimento do outro, pra descontrair. Quem nunca, né mesmo?

Mas assim, daqui pra frente não faz não.

Algumas pessoas superam o mal-estar de todo dia, a dor de cabeça, o rosto manchado e inchado, os olhos lacrimejando sem parar, a rinite, a sinusite, o nariz eternamente entupido, a boca rachada, tudo isso. Mas quando o cabelo cai, É SIM A GOTA D'ÁGUA. Por mais que não vá cair todo o cabelo, que não vai aparecer (muito), deixa a pessoa reclamar e ficar triste. 

Mesmo que seja por 1 dia. 




Dia 1

"Agora você já sabe, a cama vai mexer um pouco e logo em seguida vou começar."

(vixe, vai ser tipo uma montanha russa. uhuuuul \o/)

Um leve tranco, depois vários barulhinhos extraterrestres acontecem e depois param. E eu ainda esperando a cama balançar.

EXPECTATIVA

REALIDADE



Parabéns! Agora faltam 53 sessões.

Parabéns por ter ficado parada?

Isso mesmo, esse tratamento depende 70% da calma do paciente. 

sábado, 20 de maio de 2017

Algodão Agridoce

Um dia me disseram que as nuvens não eram  de algodão.

Nesse dia, a única coisa que eu consegui fazer foi desabotoar o sutiã e o cinto. Precisei de um remedinho pra dormir e no dia seguinte fui pra minha aula de ginástica no parque.

Nos dias que se seguiram, consegui sentir tudo. Consegui chorar, me desesperar, acreditar e desacreditar. Depois comecei a sorrir e por fim me senti uma pessoa normal como todas as outras que descobrem que as nuvens não sei feitas de algodão.

Não tem nada de especial e glorioso saber superar o fato que a vida não é só mágica. Só tem de humano mesmo.


terça-feira, 28 de março de 2017

Alive Inside

Vagueando pelo Spotify encontrei essa música: When You're Gone, do Bryan Adams e Melanie C, que amava e nem lembrava do meu amor. 
Lembrei que gostava do clipe, e mais ainda da música por causa da Melanie C e da vozinha que ela faz. E a verdade é que qualquer música que tenha uma vozinha nesse naipe, eu curto.  Não tenho critérios musicais. Na verdade meu único critério é detestar música sertaneja e eletrônica. No mais eu sou bem sem noção.   

O ano preciso que eu descobri essa música, não lembro com certeza, mas era 1998 ou 1999, e eu nos meus 17/18 anos era diferente mas igual a essa que está aqui agora, com 35 anos. E automaticamente eu lembrei de assistir um documentário que há tempos me falaram dele e só hoje procurei com seriedade. E ó, muito foda. 

Alive Inside mostra como a música tem uma relação diretamente emocional com as pessoas e como ela é capaz de mudar o seu dia ou sua vida. Não vou ficar contanto a história dele aqui, mas chorei litros. E chorar é bom.