sábado, 20 de maio de 2017

Algodão Agridoce

Um dia me disseram que as nuvens não eram  de algodão.

Nesse dia, a única coisa que eu consegui fazer foi desabotoar o sutiã e o cinto. Precisei de um remedinho pra dormir e no dia seguinte fui pra minha aula de ginástica no parque.

Nos dias que se seguiram, consegui sentir tudo. Consegui chorar, me desesperar, acreditar e desacreditar. Depois comecei a sorrir e por fim me senti uma pessoa normal como todas as outras que descobrem que as nuvens não sei feitas de algodão.

Não tem nada de especial e glorioso saber superar o fato que a vida não é só mágica. Só tem de humano mesmo.


terça-feira, 28 de março de 2017

Alive Inside

Vagueando pelo Spotify encontrei essa música: When You're Gone, do Bryan Adams e Melanie C, que amava e nem lembrava do meu amor. 
Lembrei que gostava do clipe, e mais ainda da música por causa da Melanie C e da vozinha que ela faz. E a verdade é que qualquer música que tenha uma vozinha nesse naipe, eu curto.  Não tenho critérios musicais. Na verdade meu único critério é detestar música sertaneja e eletrônica. No mais eu sou bem sem noção.   

O ano preciso que eu descobri essa música, não lembro com certeza, mas era 1998 ou 1999, e eu nos meus 17/18 anos era diferente mas igual a essa que está aqui agora, com 35 anos. E automaticamente eu lembrei de assistir um documentário que há tempos me falaram dele e só hoje procurei com seriedade. E ó, muito foda. 

Alive Inside mostra como a música tem uma relação diretamente emocional com as pessoas e como ela é capaz de mudar o seu dia ou sua vida. Não vou ficar contanto a história dele aqui, mas chorei litros. E chorar é bom.


quinta-feira, 9 de março de 2017

Hoje o dia foi...

... bem difícil. Difícil quando todos os dias são difíceis? (mas o que é difícil, mesmo?)

Pelo menos você dorme.
Pelo menos sua casa é fofa.
Pelo menos você tem uma bicicleta azul (what?)
 
Pelo menos, pelo menos, pelo menos. 

Se fosse Pello Menos, seria um instituto de depilação.

Chega de falar pelo menos para as pessoas. Não existe compensação nessa vida, o que existe é a vida para ser vivida, caminhada, deglutida. 

O que existe é sair da terapia, ir na C&A comprar uma blusa, encontrar na porta do metrô uma conhecida, mostrar a blusa e ela te dizer "é a sua cara". Isso aí é que é a vida sendo vivida. 


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Alô?

"- Alô, tio? Tudo bem? Como você está? Animado pro carnaval? Te liguei pra contar que queria fazer uma fantasia de Cleópatra, você vai na 25 comigo e faz a cabeça pra mim?

Eba!!!!

Você fez falta nesse fim de semana que fomos na Leroy. Foi uma confusão mas deu tudo certo e agora a casa da sua querida já tem papel de parede!

Te liguei pra contar também que dia desses eu escutei aquela música É de Manhã, do Caetano, sabe? E lembrei tanto de você e do tempo que eu e o Bruno te deixávamos em casa aos domingos, após os almoços na minha mãe, e íamos cantando essa música. Na verdade você sabia todas as músicas e sua despedida era sempre: "Boa semana pra vocês."

Saudades desses dias que não voltam, tio."

domingo, 4 de dezembro de 2016

Timidez

Tem gente que é muito tímida. Tem gente que é relativamente tímida. E tem gente que é extrovertida.

No mundo, tem mais tipo de gente, mas para esse texto vamos ficar só com esses que já está bom.

Sobre pessoas EXTROVERTIDAS eu não posso falar com conhecimento de causa, pois nunca vivi sob essa pele. Mas minha mãe é assim (sem ser EFUSIVA - que já seria um outro tipo de gente, mas que tá na espécie dos chatos mesmo) na minha imaginação elas estão sempre conversando, nunca tem vergonha de pedir favores ou dizer o que pensam. E quando não querem socializar, podem tornar-se o tímido de ocasião. O extrovertido é amigo de todo mundo no salão, na farmácia, padaria e prédios da rua. O melhor deles é não se sentirem acuados com a cara feia de ninguém. No táxi, por exemplo, eles cagam quilos quando o taxista bufa após pedirem para ligar o ar condicionado.

Já as pessoas MUITO tímidas nível hard são, para mim, o Beto Guedes - cantor mineiro que no começo da carreira fazia shows de costas para o público por não conseguir encarar a platéia. Não sei se é verdade, mas uma vez eu li isso e me marcou tanto que hoje estou aqui escrevendo esse texto. 

Tem também os MUITO tímidos razoáveis que fundamentalmente preferem morar em casa a ter que cumprimentar vizinhos e porteiros todos os dias. Geralmente se relacionam amorosamente com pessoas RELATIVAMENTE tímidas, que são capazes de pedir informação na rua, mas sem fazer amizade com as pessoas. 

E finalmente chega o grupo dos RELATIVAMENTE tímidos. Normalmente eles estão sempre com ombros tensos, e sua marca principal é: NUNCA puxam papo. Eles vão conversar com você e nem serão lacônicos, mas eles não vão iniciar uma conversa contigo. Não espere isso deles.  Eles também não cumprimentam velhos conhecidos ou pessoas que só viram uma vez, mas não por serem antipáticos, mas por terem vergonha de não serem reconhecidos. Eles até são capazes de pedir informações na rua e o coração nem palpita por causa disso, mas não espere que ele fale muito e nem faça amizade.


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Metodologia

Não tenho carteira de motorista.

(pausa dramática)

E sobrevivi 35 anos sem a tal carteira. Na verdade já se passaram 17 anos desde que fiz 18 e eu NUNCA pesquisei sobre auto escola. Já me disseram da importância social de ter carteira, "dá liberdade" ou "mostra sua autonomia sobre a vida" e blábláblá. Depois de muito pesar sobre as definições de ter ou não carteira e de até me achar menor, por não ter VONTADE de alcançar a tal autonomia sobre a minha vida (g-sus), finalmente me perguntei:
- Liberdade para quem, cara pálida? Pra quem tem carro e mora em uma cidade sem trânsito? É importante analisar sempre o conceito de liberdade né?!
- Ter uma carteira é sinal de autonomia em que contexto estelar?

Enfim, quando penso em todo dinheiro envolvido na operação (carteira, carro, ipva, seguro, multa, valet), prefiro o sistema municipal de transporte coletivo. Fora que ir no carona pensando na vida é muito melhor.

Mas esse texto que começou com essa LEVE defesa sobre não ser motorista é pra falar na verdade como uma pessoa chegada em metodologias como utilizar o transporte coletivo:

ÔNIBUS
- Se você evita longas conversas com estranhos, nunca sente muito perto do cobrador ou motorista;
- Se você é mulher e evita conversas com estranhos e pega uma linha normalmente vazia, sente sempre próxima deles - mas não muito, para evitar que algum tarado se masturbe ao seu lado (esse item é triste, mas vivemos nessa sociedade machista e tudo o que desenrola a partir disso);
- Se você é ansiosa mas gosta de sentar na janela, não gosta de conversar com estranhos, sente na banco anterior a roda do ônibus (sentar sobre a roda é muito quente). Assim você relaxa e ainda não perde o ponto.
- Se o seu ponto é o próximo, mas o ônibus está lotado e não vai dar pra passar a catraca, VENÇA a timidez e solicite a turma que passe o seu bilhete único E ainda peça ao motorista para descer pela frente. Não faça como certas pessoas que passaram muito tempo da vida descendo de 3 a 4 pontos depois do original. 
- Se você estuda a noite, em uma faculdade onde TODOS tem carro e o ponto mais próximo é deserto, você vai ter que vencer a timidez, novamente, e pedir carona até o ponto mais próximo e que tenha gente. Se esse ponto nunca aparecer faça seu amigo te levar em casa (vale ter muitos amigos, nesse caso e você vai ter que vencer a timidez novamente);
- Todo mundo tem um ponto de preferência, se ele for coberto, iluminado, com banquinho e em uma calçada larga, você é abençoada.
- Se você tem problemas olfativos e entra em um ônibus cheio com um lugar vago e várias pessoas em volta em pé, não sente. O lugar deve estar fedido.
- As vezes fazer baldeação é mais demorado do que ir direto no mesmo ônibus. Exceto se você utiliza linhas como: Lapa-Barra Funda 828P, Lapa-Socorro 856R ou Terminal Lapa-Santa Cruz 875C.
- Jardim João XXXIII é o bairro com mais linhas de ônibus do mundo.

METRÔ
- NUNCA passe em catracas pares. Sério, dá merda.
é só isso que você precisa saber.

TREM
- NUNCA passe em catracas pares. Sério, dá merda.
- A aceleração do trem espanhol, NÃO é uma música que sempre para no começo.







domingo, 20 de novembro de 2016

Seis personagens à procura de um ator - Parte VI/VI

"o esquema é ligar seu coração ao seu cérebro".

tentava todas as alternativas para sentir. sentir o que quer que fosse. chorar copiosamente até o pranto secar e colocar para fora tudo o que fosse capaz e zerar, reiniciar a máquina?

assim como todas as dietas milagrosas que fez, achava que era possível anotar qualquer receita de conexão para tentar ir até o fundo de si mesma. racionalizando seu sentimento

era como aquela caixa de supermercado passando os códigos de barras automaticamente. mas pelo menos dentro da caixa podia haver um coração que batesse em um ritmo totalmente alheio a enorme fila que se formava enquanto ela dizia: "CPF na nota?"

mas já que não conseguia sentir, afastava o dilema e reclamava. reclamar era seu esporte. um dia reclamamos da prova de Matemática e da escola mala, depois do cursinho, depois do namorado ou da falta dele, depois do professor chato da faculdade, depois do primeiro emprego e do chefe, depois de morar com os pais, depois de morar sozinha, depois de tentar engravidar e não conseguir, depois reclamar dos filhos pequenos, depois dos filhos adolescentes, depois dos subordinados que não entendem a sua posição, e assim por diante. Mas enquanto não se jogar nesse vazio, vai ter sempre um problema angustiante atrás do outro.