sábado, 28 de fevereiro de 2009

Botânica.


De um garoto de 8/9 anos:

"- Você é o Amor-Perfeito ou está a procura do Amor-Perfeito?"
Desolada e surpresa a planta, atônita, fica sem tempo de resposta.
"-Pois se você está a procura do Amor-Perfeito, já encontrou."

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

mamãe sou arquiteta... XIV 1.2



Prosseguindo com a série sobre o prazer em "Ler Livros", trataremos hoje do excelente "O Gênio do Crime" . Talvez, a maioria da minha legião de leitores (estou muito superlativa ultimamente) já deve ter lido esse livro quando pequeno. Eu, também o li quando pequena e depois, mais velha.

Quem me apresentou esse livro, como muitos outros, foi minha irmã. Lembro que o retiramos na escola, mas esquecemos de anotar na nossa ficha da biblioteca. Depois, por uma vergonha das duas, não o devolvemos. No começo, lembro ter ficado apavorada com a ideia de ser descoberta e sabia com certeza que seríamos linchadas no pátio vermelho, com o passar do tempo passei a sentir um certo orgulho de ter um "bem" de outrem em meus poderes e até hoje sinto uma nostalgia ao ver o carimbo do colégio na contra-capa.

Além de toda a perturbação e satisfação de consciência, é viva na memória o deslumbre pela capa - foto abaixo. E sei, que foi ela que despertou em mim a vontade de ler o livro.

Para uma criança de 6/7 anos, acho que esse não era o livro mais recomendado, pois ele é denso. Na época era mais apropriado para minha irmã que já havia sido alfabetizada a mais tempo. Mas a história é tão envolvente e tinha, assim como eu na época (tá!), um "gordito" como líder e sujeito mais perspicaz da turma. Só não me apaixonei pelo Bolacha porque na época não era dada a esses luxos.

Enfim, era uma satisfação acompanhar o desvendar de um crime de trás pra frente. Até hoje gosto de histórias assim, depois desse livro li vários outros na mesma linha e alguns, tão interessantes quanto. Mas isso fica para um próximo post da série.





quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

as flores do meu caminho são de néon. I

Existe um tratado entre todos os donos de floriculturas da cidade sem alma (ou de parte dela, buscando não ser tão megalomaníaco), em que todas são obrigadas a fazer letreiros em neón. Essa é a fundadora do tratado e consequentemente fundadora da série. Antigamente expunha em letras menores no fundo da loja "Floricultura Santo Antoninho". Hoje em dia por uma desilusão com o Santo resolveu abolir tal nome, entretanto, deixou as marcas do passado gravado em poeira.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

mamãe sou arquiteta... XIV 1.1

Por uma revolta pessoal, para dar uma utilidade ao meu sentimento de ironia para com o universo, por necessidade de colocar em prática toda a imaturidade que me permeia. É por meio desse garboso blog que darei continuidade a série "mamãe sou arquiteta, mas decidi mostrar a você que gosto de LER LIVROS."
Afinal de contas, é muito fácil adorar ler livros. Um tanto genérico, mas...
E começaremos a série falando minha opinião mais que pessoal sobre "Como me tornei estúpido" do Martin Page.
É um desses livros que são ótimos de ler no ônibus, pois são pequenos, não pesam na bolsa e a leitura é fácil e rápida. Relata a vida de um cara super inteligente, que cansado de sofrer por conta do entendimento profundo dos fatos que a inteligência dá a ele, resolve tornar-se estúpido. As passagens são ótimas, algumas beiram filmes pastelões e rendem boas risadas. Outras em que é possível identificar a si mesmo e os amigos e outras em que rola aquele orgulho de nunca ter feito aquilo na vida.
Acho que o autor não faz uma crítica só aos burros, mas principalmente aqueles que julgam-se inteligentes demais e sentem que o mundo não os compreende e que somente eles conseguem enxergar as atrocidades humanas.
Enfim, esculhamba os pseudos-intelectuais disseminados pelo universo.
Li esse livro em 2005, mas o que ficou marcante (além do que foi dito acima) é a descrição fiel desse tipo de gente e as fases, que parecem até serem lineares, pelas quais elas passam. E para mim isso fica bem claro quando ele descreve as pessoas que adoram citar grande autores e segue descrevendo outras características da "espécie" ao longo do livro. Mesmo que elas não se concentrem só no personagem principal.
Mas como nem tudo na vida são flores, acho que no final do livro o autor corre com a história. Sabe quando o sujeito cansa de escrever, cansa da história e quer acabar logo com aquilo (tá, confesso que isso acontece sempre comigo)? Pois é, senti isso.
Quando o li, em 2005, eu não o desculpei por isso. Mas agora em 2009, mudei de opinião (iééé)! Na verdade, acho que ele corre com o livro, pois a história perde o fôleg e qualquer coisa a mais vira "encheção de linguiça", pode ser que ele não seja mesmo um escritor bom (não li outro livro para tirar a prova dos nove) ou pode ser também que existam histórias que nasceram para serem curtas (as minhas são todas assim). Mas por uma questão de corporativismo de mim para comigo ainda não cheguei a nenhuma conclusão!
Já que esse é o primeiro da série relatarei, em outra fonte, minhas regras arbitrárias (que serão elaborada conforme a necessidade, portanto hoje teremos três e só):
1- Não ficarei discorrendo sobre o autor, caso não saiba nada sobre a vida dele ou a vida dele nunca tenha me chamado atenção. Hoje em dia, com esses sites de busca é possível ser PhD em vários assuntos. Mas não o farei, por questões de preguiça. Portanto...
2- Tenho péssima capacidade de síntese, sendo assim, não vou relatar história nenhuma. Posso em alguns casos, contar algumas coisas, mas se quiser ler um resumo, já para o dr.know.
3- Posso a qualquer momento invalidar minhas regras pessoais, criar outras e me contrariar.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Sem halo.

Como assim, todas as músicas tristes de amor de repente mudam de opinião e perdoam o bem-amado? Não alcançava o sentido disso, que impropério! Domada a raiva, lançou mão da parca sensatez e compreendeu então que aquele verso, sobre o coração ouvir a razão e usar só a sinceridade era um conselho para o bem-amado e não perdoava coisíssima nenhuma.

Ah que alívio.

Mentira, alivio nada pois logo em seguida escutava baixinho sobre o tempo que o amor não os deu, sobre toda a infinita espera e que embora sempre existam primaveras, elas sempre serão derradeiras. Sentiu um apertinho leve, por todo o amor que teve que se esgotar antes do tempo exato. E como se por clarividência tomou para si o entendimento de que não existe só um jeito de sentir a tal dor de quando termina um grande amor. Pode ser mesmo como cair o elevador ou chover o ano inteiro chuva fina ou zumbido de orelha no ouvido por meses ou até fazer cálculos mensais de quanto tempo da vida foi gasto pensando no antigo bem amado.

E mesmo amaldiçoando a tal esperança, que por caminhos diretos sempre a levava para uma volta de contos de fadas. Aceitou de bom grado, a esperança disfarçada por versos perhaps a letter with a dove, perhaps a stranger she could love e aceitou também, por uma questão genética de saber que o sofrimento não acende um halo na cabeça de ninguém.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

saber eu sei.

Existe sempre aquela história que não quer ser escrita, a princípio não se sabe se é porque se tem medo de escrevê-la ou porque as palavras não vem. Como quando se é pequeno e não se tem coragem de contar para o pai que pegou um cachorro-quente fiado com o tio do carrinho e fica-se com vergonha do pai pela desobediência, com vergonha do tio do cachorro-quente pela dívida e com vergonha de si mesmo pela covardia. E a palavra pára na porta da boca.
E não faz sentido escrever sobre homens que fazem escova progressiva no cabelo e que provavelmente frequentam ruas decadentes do bixiga. Como também não há espaço para o rapaz de ombros de cabide e bochechas rosas que se vê todos os dias há dois anos, descendo ou subindo a mesma avenida e pelo qual se tem uma curiosidade passageira, porém profunda sempre que o vê. E também tem o rapaz coxinha nerd que aos 26 anos tem o rosto tomado por espinhas, lê livros de matemática para gênios e guarda o passe de ônibus em uma carteirinha de clube de futebol.
Ninguém e nada é mais interessante do que a história que não quer sair no papel e que já foi escrita por tanta gente. E não era possível escrever sobre a lâmpada amarela da cidade velha e sobre aquelas fotos que deveria tirar antes que os lugares morressem de vez e sobre aquela música que enche o peito de um ímpeto salvador do mundo ou tão reconhecedor do próprio mundo e que não deveria ser enviada a quem se destinava, por pura proteção.
E a cidade parecia a mesma de quando pequena e que tinha que sair com os pais e gostava mais do caminho do que do ponto final, com toda aquela gente apertando a bochecha e enfiando comida goela abaixo. E nessas horas, sabia não sabendo que gostava mais do caminho.