terça-feira, 30 de janeiro de 2007

impossível não fazer...

A culpa é da Denise... me senti uma adolescente preenchendo um daqueles cadernos de "enquete", mas lá vai:

7 coisas que eu tenho que fazer antes de morrer:
[1] Ir para Praga.
[2] Tirar carteira de motorista
[3] Terminar um módulo de acrílico que estou fazendo para minha irmã
[4] Ter quatro filhos
[5] Passar o carnaval em Recife/Olinda
[6] Cortar o cabelo curto
[7] Andar de trem (de verdade e não CPTM)

7 coisas que eu mais digo:
[1] caraleo
[2] é complicado... (com uma cara de quem não consegue disfarçar, que tá nem aí pra situação)
[3] bizaaaaarro
[4] manhê!!!!!!!
[5] ah meu!
[6] zente!
[7] menos Batista.

7 coisas que eu faço bem:
[1] brigar
[2] colagens
[3] dou risada
[4] cortar e dobrar pranchas
[5] decoro caminhos de ônibus
[6] eu canto uma única música bem (morena do pixinguinha)
[7] invento histórias mirabolantes.

7 coisas que eu não faço:
[1] dançar forró
[2] dar o braço a torcer
[3] não sinto cheiro
[4] não como batata-doce
[5] não uso sandália alta, normalmente
[6] não uso anel
[7] não sei fazer aviãozinho de papel

7 coisas que me encantam:
[1] tardes com sol
[2] baterias de escola de samba
[3] a vista da praça pôr-do-sol
[4] o dia-a-dia de uma família
[5] desenhos a nanquim
[6] a luz amarelada que tem no centro de sp, a noite.
[7] expressões inusitadas, que eu nunca teria capacidade de inventar

7 coisas que eu odeio:
[1] que me chamem de: colega, amiga e minha filha
[2] conversas alheias no ônibus
[3] gente que analisa tudo e tem opinião para tudo
[4] estudantes de arte, gente performática
[5] intelectualóides
[6] arrumar a cama da minha mãe
[7] não ter sono no domingo a noite.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

tô boladaaaaa

Mesmo odiando os falsetes do cantor, tinha que admitir que ele dizia a verdade. E era tanto coisa pra ver, sorrisos talhados, o clima meio libertino de sol, de sal e de mar... sentia na boca o gosto quente do sal da maresia.
Era um vento que não havia experimentado e uma felicidade que era quase memória. Agora entendia a si mesma e o que vinha antes dela.
Conseguiu agarrar o tempo com as mãos e olhar a fundo todas as bonecas da estante, todos os ventiladores, bicicletas, relógios, broches e toda a cor que havia no lugar. Talvez fosse a maresia que fizesse o tempo passar mais devagar, ou era a quantidade de coisas a serem vistas por mais homeopática que fosse a dose. E sorria sem entender e sem querer explicar o que sentia, sorria apenas e se dava ao instante.
Queria saber era daquela felicidade ali no presente, dispensava análises sociais sobre a capacidade do ser humano em se divertir, por pior que fosse a vida. Porquê no fundo viu bem de perto, com olhos de criança que espera o bolo de chocolate, que a alegria contagia e as explicações sobre a vida tomam muito tempo da vida, daquela que a gente vive por inércia até que vê um cego mascando chicletes num ponto de ônibus.*
*referências à clarice lispector, não significam que eu escrevo igual a ela, ou que pretenda isso. é apenas o que faz parte do meu mundo palpável.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

sábado, 20 de janeiro de 2007

pense numa cor

Sentou-se no gramado, pois não aguentava o peso daquilo que sentia. Uma felicidade súbita, uma felicidade irônica, quando tudo na verdade parecia dar errado, quando tudo na verdade era apenas olhar um olho azul que era mais arisco que o seu mesmo. Procurava saídas, brincava com o cachorro labrador do seu vizinho de grama, coversava sobre o tempo, sobre os buracos das ruas, escutava análises diárias e certeiras sobre o melhor método de se cercar a vida e impedir que ela exploda.
Separava pessoas por palavras, como quem conta feijão. Eliminava, ou fingia eliminar, o grão impróprio para ouso, o grão que não conseguiria cumprir com a sua "função social". Brincava de deus e assim como guardava no fundo da estante os livros que já lera e não gostara, guardava pessoas no fundo do peito, em um esconderijo tão perfeito que tornava a vida capaz de seguir respirando fundo até o final.
Nos mais pensava sempre nos olhos azuis e por cinco segundos a vida, dava chance para que apenas uma cor reinasse, mas no resto do tempo a vida vinha e arrancava qualquer possibilidade de azul....

sábado, 6 de janeiro de 2007

Dia de Reis

O importante ali, era o céu. Evitava olhar nos olhos para não se perder onde não devia, quando na verdade era só fingir que evitava o inevitável. Olhou para o lado e a menina de cabelos cacheados que fumava cigarro sem tragar, sorria discretamente quando na verdade queria que os meninos a deixassem conversar com as amigas. Eram dois meninos e três meninas, invitavelmente ela, sobraria sozinha. Sentiu um aperto no coração e só. Levantou a cabeça novamente, o balanço do barco fazia voltar a tona os festejos de um ano após o outro. No primeiro olhar lembrou dos bloquinhos de madeira e ao longe parecia escutar o batuque da folia de reis e junto dele o cheiro de cachaça e suor, atrás da bandeira colorida de cetim desbotado e bordada de paetê dourado igualmente desbotado. Tentou esconder-se atrás da perna de alguém grande, mas ali só havia o vento pesado.
E como era difícil andar no mar, tudo ia tão devagar e a vida real andava tão depressa e corrosiva...