sábado, 6 de janeiro de 2007

Dia de Reis

O importante ali, era o céu. Evitava olhar nos olhos para não se perder onde não devia, quando na verdade era só fingir que evitava o inevitável. Olhou para o lado e a menina de cabelos cacheados que fumava cigarro sem tragar, sorria discretamente quando na verdade queria que os meninos a deixassem conversar com as amigas. Eram dois meninos e três meninas, invitavelmente ela, sobraria sozinha. Sentiu um aperto no coração e só. Levantou a cabeça novamente, o balanço do barco fazia voltar a tona os festejos de um ano após o outro. No primeiro olhar lembrou dos bloquinhos de madeira e ao longe parecia escutar o batuque da folia de reis e junto dele o cheiro de cachaça e suor, atrás da bandeira colorida de cetim desbotado e bordada de paetê dourado igualmente desbotado. Tentou esconder-se atrás da perna de alguém grande, mas ali só havia o vento pesado.
E como era difícil andar no mar, tudo ia tão devagar e a vida real andava tão depressa e corrosiva...

Um comentário:

Beethoven disse...

eu tnha medo da folia de reis, meu pai sempre levava a gente para acompanhar, principalmente quando uma das paradas seria na casa de um parente ou amigo. depois eu passei a gostar e a achar divertido ao mesmo tempo que eu ia descobrindo o significado de tudo aquilo. faz muito tempo que não vejo.