
domingo, 27 de maio de 2007
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Homenagem a quem está longe...
quarta-feira, 23 de maio de 2007
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Fodido não tem vez...
Apesar de todos os pesares, depois do que viu tinha que admitir que ele era bom. Mesmo odiando as histórias de sempre, repetidas milhares de vezes - as curvas da mulher brasileira, as curvas da natureza, as curvas e curvas e cruzes e credos para um ateu.
Tinha que mais uma vez que admitir que ele era bom e quase dava o braço a torcer para entender um comunismo tão torto como quase ficava seu braço. Odiava explicações sobre o espaço, sobre cartas gregas, sobre aquilo que qualquer palavra é capaz de estragar.
Lembrou de quando viu aquele mural pela primeira vez na vida, atrás de uma cortina de vidro e gostou da luz e das cores e sentiu-se feliz. Ponto.
Não entendia o porquê era necessário falar do balanço, da viga, do novo desenho do pilar quando na verdade nada disso é o que é o balanço, a viga e o pilar de sempre. E era por isso que devia falar pouco.
domingo, 20 de maio de 2007
De longe era uma forma que vestia vinho, chegando perto dava pra ver que era uma forma que vestia vinho e uma camisa de bolinhas de cores pastéis e cujo o rosa era uma bolinha predominante em uma estampa tão anos 70. Carregava uma sacola grande, cheia de algo que parecia ser roupa e tinha grudada a ela uma bengala marrom escura, envernizada. Ficava curvada, ou não conseguia esticar as costas ou assim seria mais fácil ver o ônibus, pois devia ser estranho viver em um mundo de gigantes.
Quando finalmente sentou a benagala mal posicionada caiu, caiu e bateu com força de quem há tempos precisava sentir a vida pulsando depois de uma topada. No "braço" da bengala de madeira, tinha uma almofadinha que parecia ter sido feita em casa, por ela mesma. Dentre tantas coisas que pensava, nunca passou pela sua cabeça que uma almofadinha no braço da bengala fosse ítem necessário, a única lembrança de bengalas que tinha, era uma feita de pau de marmelo que ajudava o Sr. de todos os seus sonhos e para ela. ele nunca precisava dela tanto como aquela senhora de vinho.
Pegou a bengala, sorriu um sorriso aberto quase nunca feita para estranhos e entregou nas mãos de esmalte rosa cintilante a famigerada. Lembrou-se de outro ponto e de uma outra senhora que não carregava bengala, e sim um saco plástico tranparente, cheio de impostos pagos, a serem pagos e tinha aquelas mesmas mãos só que com esmalte azul.
Talvez elas fossem irmãs, pois no seu mundo só sendo irmão para ter mãos tãos parecidas. Enquanto traçava rotas e árvores genealógicas imaginárias, percebeu que a única coisa animada nela eram seus pés. Esticados balançavam feito os pés de uma criança de pernas curtas. Mas sua diversão durava pouco porquê sempre alguém passava correndo e quase pisava nos seus pés felizes e ela, por sua vez tinha sempre que ensaiar uma encolhida de pernas. O que durava pouco, pois aqueles eram pés rebeldes.
Quando decidiu levantar o motorista arrancava de novo e ela perdia mais uma vez o Maria Sampaio, sentou-se novamente. De repente esqueceu-se de tudo e quando viu se aproximando um ônibus de luzes amarelas e caixa laranja, quase pisou no pé dela, mas estes eram muito mais espertos que ela e esconderam-se rapidinho.
Martirizou-se por tal blasfêmia por alguns instantes, mas logo passou afinal o bilhete que não passava era mais naquele momento mais importante que uma senhora de vinho e esmalte rosa.
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