terça-feira, 22 de julho de 2008

tênis que flutua.

Passava seus dias flutuando, mas não flutuava como aquelas imagens de cinema em que a pessoa flutua deitada ou completamente descoordenada. Flutuava como se tivesse calçando tênis com a função flutuar.
O falso libertário que carregava revistas de cunho social na mão contudo não tirava a mochila das costas para dar passagem no ônibus, as discussões babacas sobre a inteligência de uma ou outra loira televisiva, a tal cultura fundamentada, proclamada e debatida por leitores de livros de profundidade duvidosa, a inércia da menina diariamente à sua frente e todos os seus enroscos de fios de nylon ainda a incomodavam, irritavam e ver por outra brotava uma lágrima que imediatamente era classificada e catalogada como sem razão de ser.
Contudo, ela tinha seus tênis flutuantes. E com eles, de repente como o mar vermelho abriu-se naquele desenho animado o trânsito abria-se, o ônibus passava apressado porém pomposo e seu cartão apitava aquele som verde e sorridente de quem utiliza 3 ônibus ao preço de um, para subir correndo a viela escura e esquecer que o medo era de ser assaltada e não de ser vista correndo sem motivo.

domingo, 20 de julho de 2008

mamãe sou arquiteta... IX

Existem músicas que escutamos uma única vez na vida e por algum motivo obscuro, por algum acaso do destino e por alguma incapacidade de comunicação passamos anos e anos cantarolando uma melodia conhecida-desconhecida que mora dentro da gente, mas que nunca sabemos ao certo de onde veio. E em alguma tarde fria de sol, a gente se depara com elas e volta a acreditar que a vida tem solução. E a gente acredita mais ainda depois de ver as animações de Kid Koala e fica pensando que as vezes as pessoas escrevem e desenham e compõem tudo aquilo que a gente tem dentro da gente e não se sente tão só.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

breves diálogos ou come back, teresa, come back.

"- Você fez curso pra tirar sobrancelha?
- Eu fiz curso de depilação, mas sabe que no dia da aula de sobrancelha eu faltei, menina!
- Ah...
- Mas sobrancelha é assim, tem que ter uma sequência. Não tem segredo."


"- Alô, tem alguém aí?
- (...)
- Alô, alô.
- (...)
- Minha mãe tá me chamando, tenho que desligar."
*de um menino conversando com o orelhão.


"- Você não ia sair de casa?
- Não vou mais, caí na realidade que te amo.
- Não estou entendendo nada."