sábado, 22 de novembro de 2008

Êta lelê.

"- Na vida é necessário ter equilíbrio, as coisas só dão certo quando há equilíbrio. Veja você por exemplo, se eu passo correndo nesse farol vermelho pode vir um carro, bater em mim e pronto. Agora, se eu antes de passar o sinal vermelho, paro, vejo se não tem nenhum carro vindo. Pronto, cometo um erro consciente."
Embora ouvisse com muita atenção, embora tentasse memorizar cada palavra, sorria por dentro. Mesmo nos momentos de maior angústia, pensava no quão patética tornava-se nessas fases em que tudo vira conselho, tudo vira ensinamento e solução de vida.
E ainda assim, sua fé cristã lhe dizia "por você, almadiçoar as pessoas, por ser impaciente, por ser rude com seus semelhantes, por evitar conversar com ilustres anônimos, por ter roubado aquela pulseira na feira hippie de Ubatuba em 1995, você se angustiará um pouco mais, para assim alcançar a sabedoria."
E assim, não precisava ir a culto religioso algum, carregava dentro de si toda a culpa e todos os 'e ses' do universo.Ela mesma era uma lotérica ambulante. Apostava com microondas, com o meio-fio branco/meio-fio amarelo, com o metrô, com a esteira etc.
Se o microondas apitar e eu já tiver cortado o queijo, tal coisa vai acontecer.
Se o carro passar e eu já tiver pisado com o pé-direito no meio-fio branco, aquilo vai acontecer. Se o metrô parar no lado esquerdo de tal estação o telefone vai tocar.
Se eu parar a esteira em tempo ímpar, na caloria ímpar e na quilometragem ímpar aquele e-mail vai chegar.
Quando o universo conspirava a favor, escondido - claro - da culpa cristã e da maturidade (mãe de todas as mães), era uma alegria só. Já saía do metrô com o celular na mão, sorria para pedreiros, enchia o peito de felicidade e depois fechava o olho apertava-o com força e achava-se ridícula.

Um comentário:

Livoca disse...

harissa
te conheço.