quarta-feira, 27 de junho de 2007

"mamãe sou arquiteta... III"




















Mais uma da série: "Mamãe sou Arquiteta e decidi mostrar a você que eu gosto". Essa é a La Chascona a casa do Pablo Neruda em Santiago localizada no bairro boêmio chamado Bellavista, ele tem mais duas Isla Negra que fica em Isla Negra e La Sebastiana em Valparaíso.
Mas, a que mais me chamou atenção (e a que eu vistei seriamente) foi a La Chascona, ela foi construída para Matilde que na época de sua construção era amante de Pablo Neruda. Justamente por ser um "esconderijo" é uma casa discreta, olhando por fora. Foi construída aos poucos, crescendo conforme a necessidade do casal, tempos depois Matilde tornou-se a terceira esposa de Neruda. A casa tem um aspecto de navio (Neruda adorava o mar) e é dividida em três partes: cérebro, coração e barriga. O mais interessante nela, além da impressão de porão de navio são os "enfeites" e detalhes que o próprio Neruda colecionava. São eles que dão o ar poético e as vezes cômico da casa.

Lembrei logo dessa casa, óbvio que em se tratando de uma personalidade tão forte como a do Neruda o arquiteto (Germán Rodríguez Arias), fica apagadinho. Tanto que ele mesmo confessa que a casa é muito mais projeto do Neruda do que dele.

Sobre o texto, falando totalmente em primeira pessoa (fato um pouco inédito), o escritor quase que começa bem. A princípio dá a entender que ele tratará de uma questão que muito me interessa, condomínios com "sala de fitness", "salão gourmet" etc e tals. Mas descamba paraa uma idéia de intercâmbio entre espaço público e privado quando na verdade o que se tem nesses espaços (ao meu ver) é apenas a transposição do espaço privado para um espaço público que por uma noite torna-se privado de novo. Isto é, o sujeito que mora no condomínio aluga o espaço gourmet por uma noite para fazer um jantar para os amigos, amigos esses que vieram conhecer sua nova casa e o novo prédio em que ele mora e ponto. Não há socialização nenhuma e no fundo acho que ninguém quer mesmo socialização nenhuma, a não ser a criançada.

Mas enfim, depois dessa quase discussão ele desenvolve o tema que me fez lembrar de La Chascona e classifica os arquitetos em: os clientes- de-si-mesmo, os recicláveis e os homens-catálogo. Para quem é arquiteto, recém-formado soa como uma ofensa, ou para aqueles mais evasivos é fácil pensar sempre nessas estrelas de Casa Cor. Como não concordo com essa classificação simplória dele e como ainda não estou com muita certeza do quê eu realmente acho, esse texto acaba aqui. Com grandes chances de voltar à tona.

Um comentário:

Dinisi disse...

Adorei Há! Fico no aguardo de um post sobre a clasificação dos arquitetos... na verdade, o melhor seria uma conversa de boteco!
Beijocas