domingo, 20 de maio de 2007

De longe era uma forma que vestia vinho, chegando perto dava pra ver que era uma forma que vestia vinho e uma camisa de bolinhas de cores pastéis e cujo o rosa era uma bolinha predominante em uma estampa tão anos 70. Carregava uma sacola grande, cheia de algo que parecia ser roupa e tinha grudada a ela uma bengala marrom escura, envernizada. Ficava curvada, ou não conseguia esticar as costas ou assim seria mais fácil ver o ônibus, pois devia ser estranho viver em um mundo de gigantes.
Quando finalmente sentou a benagala mal posicionada caiu, caiu e bateu com força de quem há tempos precisava sentir a vida pulsando depois de uma topada. No "braço" da bengala de madeira, tinha uma almofadinha que parecia ter sido feita em casa, por ela mesma. Dentre tantas coisas que pensava, nunca passou pela sua cabeça que uma almofadinha no braço da bengala fosse ítem necessário, a única lembrança de bengalas que tinha, era uma feita de pau de marmelo que ajudava o Sr. de todos os seus sonhos e para ela. ele nunca precisava dela tanto como aquela senhora de vinho.
Pegou a bengala, sorriu um sorriso aberto quase nunca feita para estranhos e entregou nas mãos de esmalte rosa cintilante a famigerada. Lembrou-se de outro ponto e de uma outra senhora que não carregava bengala, e sim um saco plástico tranparente, cheio de impostos pagos, a serem pagos e tinha aquelas mesmas mãos só que com esmalte azul.
Talvez elas fossem irmãs, pois no seu mundo só sendo irmão para ter mãos tãos parecidas. Enquanto traçava rotas e árvores genealógicas imaginárias, percebeu que a única coisa animada nela eram seus pés. Esticados balançavam feito os pés de uma criança de pernas curtas. Mas sua diversão durava pouco porquê sempre alguém passava correndo e quase pisava nos seus pés felizes e ela, por sua vez tinha sempre que ensaiar uma encolhida de pernas. O que durava pouco, pois aqueles eram pés rebeldes.
Quando decidiu levantar o motorista arrancava de novo e ela perdia mais uma vez o Maria Sampaio, sentou-se novamente. De repente esqueceu-se de tudo e quando viu se aproximando um ônibus de luzes amarelas e caixa laranja, quase pisou no pé dela, mas estes eram muito mais espertos que ela e esconderam-se rapidinho.
Martirizou-se por tal blasfêmia por alguns instantes, mas logo passou afinal o bilhete que não passava era mais naquele momento mais importante que uma senhora de vinho e esmalte rosa.

4 comentários:

Anônimo disse...

Dica 2: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1375373

Essa é pra ontem.

Harissa disse...

anônimo, não tenho $ para livros, me dê de presente e eu leio pra ontem. quem sabe o vargas llosa (ou losa, ou lhosa) me ensina algo.

Anônimo disse...

nesse caso, fica para amanhã mesmo.

Harissa disse...

tum!