Os muros cobertos de hera a encantavam, parecia que aquele lugar sempre fora dela. Àquela hora do dia com o sol ainda por sair o verde parecia mais escuro e dava ao lugar um sentimento de cheiro de chuva. O seu lugar no ônibus, era sempre aquele ao lado da janela em que pudesse ver o muro.
Mas naquele dia olhou para dentro dele e viu uma cesta de basquete. Sentiu seu estômago embrulhado, o pão rápido do café parecia agora eternamente entalado em sua garganta. Aquela cesta era de alguém, aquele muro era de alguém, tomaram dela naquele instante tudo aquilo que delicadamente construíra.
Cada folha, cada pensamento, cada sorriso em segredo (afinal, não era normal gargalhar sozinha dentro do ônibus). Tudo jogado fora por uma cesta de basquete.








