quarta-feira, 16 de novembro de 2005

domingo, 13 de novembro de 2005

Luz do Parque

Não queria ir embora do parque tão fácil assim! Não queria voltar para o lugar de onde sempre tentava fugir, de onde sempre sentia vontade de sair correndo e nunca mais voltar. Sentia tanto medo da vida nova que se apresentava. Pessoas grandes lhe pareciam tão trêmulas.
Trêmulas como as mãos do senhor de olhos azuis, que segurava com toda a delicadeza que lhe era permitida, uma flor murcha e azul. Não queria deixá-lo ir embora, não queria que a luz entre as árvores que refletiam nos olhos azuis do velho, se extinguisse. Ficaria horas ali, olhando atenta a cada movimento em falso dele, a cada palavra balbuciada no ouvido da mulher morena, que parecia aflita pela ônibus 6401.
Deseja prender aquela cena nas mãos, assim como sozinha no banho brincava de criar cachoeiras com as mesmas. Mãos inseguras, que desprezavam qualquer anel...

quinta-feira, 10 de novembro de 2005


a mais BONITA! Posted by Picasa

gatinha Posted by Picasa

duas Posted by Picasa

Chucrute

Passou distraída, determinada a seguir em frente. Ao erguer a cabeça notou que não era mais a observadora e sim o objeto observado.
Eram quatro velhas, quatro filhas de alemães, solteironas, donas de uma cancarranca de quem carrega no sangue o segredo do melhor chucrute do mundo. Formavam uma barricada de lenços coloridos, guarda-chuvas pretos e tênis nike.
Sentiu-se devassada pelos olhares duros das quatro irmãs, queria correr dali mas não conseguia. Não sabia se era o olhar que a prendia, se eram as casas de portas redondas ou se eram os tênis nike.
Naquele instante lembrou do mendigo que morava em frente a padaria da esquina, lembrou-se de suas palavras: "Não quero ter casa, nem filhos, nem mulher, nem emprego. O quê eu quero mesmo é um caminhão de coca-cola! Me dá um trocado?"
Atravessou a rua rindo.