quinta-feira, 15 de abril de 2010

umas e outras.

Duas meninas dividiam o quarto quando eram pequenas. Uma sonhava com o quarto rosa e imaginava que a outra, sonhava com o quarto amarelo. Uma enrolava para fazer qualquer atividade prática, a outra fazia com esmero, método e perfeição.

Enquanto a outra rezava todos os dias antes de dormir, a uma incluia suas orações na reza da outra. E em uma dessas noites sem sono, a uma se deu conta que assim como a menina-ruiva-da-terceira-série, ela também poderia morrer.

E a partir daquela noite foram sucedendo-se outras tantas noites de tormenta para uma. E mesmo sem saber exatamente o porquê, sabia que não queria morrer e que aos 6 anos de idade ainda era muito nova para aquilo. Embora já soubesse amarrar seu cadarço, a escrever seu nome e sobrenome e a lavar todo o box enquanto tomava banho, pensava que ainda tinha muito para aprender e era muito nova para simplesmente 'não existir mais'. Quando já não suportava mais tanta angúsita, a uma contou para a outra sobre seus temores da morte.

A outra com todo o esmero, método e perfeição explicou para uma o seguinte: "todo mundo tem uma missão na terra, você tem a sua. E como você ainda não a cumpriu, você não vai morrer agora.". É bem provável que em toda a sua vida, nenhuma explanação foi tão boa para a uma como aquela e desde então sempre que tinha algum medo lembrava da outra.

E foram tantas as vezes que lembrou da outra que nunca imaginou que ela pudesse ter medo de algo. No dia que ocasionalmente a outra demonstrou a uma que tinha medo e tristezas e angústias, não se sentiu satisfeita pela tão sonhada igualdade. Mas pela primeira vez na vida, sentiu a dor do outro ferindo de fato a ela mesma.

2 comentários:

Anônimo disse...

vc é a unica pessoa que pode entender como eu me sinto...

as vezes, realmente não é facil, mas depois passa. a avalanche empurra a gente pra frente, tenta nos enterrar, mas sempre dou um jeito de colocar a cabeça pra fora.

te adoro. beijos. hb

Tetê disse...

<3 <3 <3 <3 !