quarta-feira, 26 de abril de 2006

Era mais um dia em que seu único desejo era um lugar no ônibus. Atenta a qualquer movimento, notou seu próprio reflexo na janela, não gostou do que viu. Olheiras, a testa enrugada, cansada. Ao olhar através do vidro, viu.
Viu alguém com uma camiseta escrita FÉRIAS olhava insistentemente ela que carregava em si "Universidade de Wellington". Desviou o olhar, havia um lugar a ser conquistado, havia todo o seu cansaço, não havia espaço para um amor urbano que buscava FÉRIAS.
O ônibus dele virou a esquerda o dela continuou em frente. Sempre em frente, sozinho na avenida...

terça-feira, 11 de abril de 2006

Só impressão

O táxi entrou na rua sombreada, eram tantas as árvores que por ela, o envelope podia esperar. Sem perceber sentiu um cheiro conhecido, um cheiro que não sabia definir - mesmo dentro da sua imaginação - a qual sentimento pertencia. Olhou para a calçada e se viu caminhando de mãos dadas. Ali lado a lado, enumeravam as casas, contavam quarteirões e nada parecia ser mais importante do que caminhar lado a lado.
Olhando para eles, hoje, não sentia nada. Apenas o cheiro que parecia ser uma saudades, mas que não era. Assustou-se, talvez tenha conseguido o que queria, não sentir nada. Machucar-se tanto para depois não sentir nada... talvez tenha dado certo.
Buscou o primeiro beijo, ainda tremia...

domingo, 9 de abril de 2006

pra sempre domingo

Ali no chão a menina só buscava a bexiga laranja, o irmão um pouco mais velho chateava, tentava inutilmente chamar atenção. Mas nada era mais importante, naquele momento, que reter a bexiga laranja. Ali com ela, segura, como se mais nada importasse. Ter 1 ano de idade era difícil, uma bexiga laranja era algo por demais precioso para ser roubado por um garoto chato, incapaz de perceber tal tesouro.
No carro, na tarde com sol caindo queria ser a menina com a bexiga. Queria ficar ali dentro do carro pra sempre rodando, pra sempre a tarde, pra sempre com o sol caindo, pra sempre domingo.