terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Caramelos

De repente começou a fazer contas, cálculos de dias, porcentagens de sentimentos. Ela, que nunca tinha sido boa em matemática, agora parecia uma professora de Kumon. Passaram-se X dias nos quais pensou nele em pelo menos Y horas por dia. Colocando em uma tabela, os sentimentos tinham origens diferentes e destinos opostos, não entendia o signficado de tantos dias, tantas horas, tanta cosia que não conseguia seguir. Abaixou a cabeça, com o cabelo na cara começou a soprar os fios nos olhos, gostava daquilo. O cabelo, que em certas horas parecia uma bala de caramelo, batendo no ombro pra depois cair no rosto novamente. Pensou no já conhecido mendingo que certo dia estava de banho tomado com os cabelos para trás e pose muito séria, lendo um jornal de ponta cabeça.
Não conseguia mais rir...

domingo, 29 de janeiro de 2006

Casa de Praia

Então era aquilo?! Trabalhar para nos finais de semana ir para casa de praia e sentir sempre no domingo aquela angústia de quem no dia seguinte acorda cedo.
A angústia de domingo a perseguia. Quando pequena brincava até o último segundo do dia mas já sofrendo antecipadamente, pois sabia que na segunda a primeira aula era a de matemática. Mais tarde, sofria aos domingos porquê era o dia em que se depedia dele e tudo ficava vazio ao seu redor, agora sofria aos domingos pois no dia seguinte sabia que sentiria de repente um tremendo vazio por não saber o que era realmente.
Odiava, aqueles dias vazios. Odiava-se por não saber responder uma pergunta banal do tipo: "E o trabalho?". Nunca sabia o que dizer nesses momentos, ficava ali parada com o garfo na mão, pensando em uma resposta que contivesse todo o seu desespero por não se saber quem era e nem o que queria.
E por fim respondia displecentemente: "tá na mesma".

sábado, 21 de janeiro de 2006


testando Posted by Picasa

Felicidade?!

Ele a deixou na esquina, atravessou a rua como cega, atônita com o pacote nas mãos. O calor, o vento quente lhe causavam uma sensação de derretimento, mas isso não importava quando se tinha em mente apenas uma frase lida há tempos: "então é isso que chamam felicidade?".
Ia em direção ao ponto de ônibus repetindo aquela frase como uma prece, sentiu seu peito cheio de algo que parecia até uma dor. Uma alegria sonsa por ver no chão um papel rosa de bombom, o pacote ainda estava nas mãos, desafiador, como quem diz "abra", mas ela não queria, não queria...

sábado, 14 de janeiro de 2006

Sábado

E mais um sábado em que passava na escada. Esperava urgentemente a chegada dele, sentada sozinha na escada brincava de contar e recontar o ladrilho hidráulico colado na calçada, sabia até quantas andorinhas estavam dormindo e quantas estavam fingindo ali paradas nos fios de eletricidade.
Esperar já era costume. Quando finalmente conseguia, não sabia o que fazer com aquele pacote na mão, fazia tudo errado de novo. O domingo chegou feliz...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Saudades

Ao seu lado no carro, ela já não sentava mais.Pensou nos dias em que juntas dividiam o banco de trás, nas infinitas placas verdes e nos boias-frias que sonhavam com bife à cavalo. Sentiu uma picada de agulha no peito, parecia aquelas que a costureira dava sem querer, enquanto media a fantasia.
Não era uma dor e nem um fardo a ser carregado, não sabia nomear aquilo. Agora, sempre sobrava um ventilador para ela e a Linha do Equador que dividia o quarto, já não era necessária. Não eram mais férias de verão e ninguém iria voltar.